sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O dia em que minha máscara caiu e eu chorei...

Eu não chorei na hora em que eu soube que o meu pai havia falecido, até mesmo porque eu não mantive um certo contato com ele por muito tempo.Chorei sim após me sentir uma pessoa um tanto quanto limitada.Agora sim, eu iria dizer sem hipocrisia que não possuía nenhum parente vivo.Não saberia com quem poder contar quando a necessidade batesse a minha porta, ou mesmo não teria para onde ir...caso não me restasse nenhuma alternativa a mais.Apenas me sentei na minha cama e não disse qualquer coisa, não sabia o que dizer...Muito menos sobre o que pensar.

Uma coisa me dizia:_Vá em frente...chore !

Dizem que chorar ajuda você a prevenir sérias dificuldades emocionais.

Mas como eu poderia chorar, se me restava um tanto quanto a vergonha de não ter feito mais, eu poderia sim chorar, mas corria o risco de parecer ridículo, já que para todos eu sempre passei a imagem de que não me importava tanto assim com ele.

Apesar das sérias dificuldades,em me aceitar fraco e não parecer ridículo eu chorei durante durante os minutos que se seguiram, sozinho no banheiro, feita uma criança escondido eu confesso.

Estava em sentindo confuso, culpado, guardei muita magoa dele por um longo tempo que eu não consegui sequer enxergar que apesar de não ter sido lá um bom pai, convencional como todo mundo espera que o seu pai seja, ou mesmo um pai tão presente, eu também nunca tentei ser um bom filho.E que no fundo eu sempre soube que meu pai me amava.

Eu poderia ter chorado no dia em que deixei meu pai descuidado e o tratei com uma certa arrogância e por que não falar ignorância , na cidade de Aparecida do Norte, durante uma viagem, ansioso por caminhar com o Bruno por todo o local. Sem ao menos pensar nele uma única vez sequer...

Meu pai ali, na certa estava se sentindo provavelmente mais solitário do que nunca, minha madrasta ocupada em parecer uma verdadeira religiosa perante as outras pessoas, eu sem paciência e preocupado em fazer parecer que estava tudo bem, com pouco dinheiro no bolso e querendo fazer com que o Bruno se sentisse bem a vontade com tudo o que estava acontecendo.

Minha consciência não me deixa sair desta situação assim tão facilmente.Então, eu praticamente enfiei uma mascara de que está tudo bem, já passou e agora vamos as outras etapas da minha vida.

Diante do apoio que eu tive no dia do velório, do entusiasmo dos meus poucos mas amavéis amigos em me dar o conforto necessário, dos desconhecidos que se aproximaram naquele dia, dos meus irmãos que não tenho contato até hoje mas que se fizeram presente naquele momento, eu agradeci à Deus por aquelas pessoas ali naquele momento compreensivos comigo, apesar de muitos saberem sobre a realidade da minha convivência com ele , mas não me questionaram em nada... "Então, finalmente eu chorei.”

Nenhum comentário: