
- Relato baseado em fatos reais. Os nomes foram trocados para preservar a privacidade dos envolvidos.
No início dos anos-oitenta, Simone, uma garotinha de 7 anos, morava em uma cidade do meio-oeste americano com seu pai, a madrasta e um irmãozinho menor que ela.Simone e seu irmãozinho, numa época em que deveriam viver alegremente, usufruindo os verdes anos da infância, protagonizavam um pesadelo: ambos eram continuamente molestados sexualmente pelo próprio pai, um homem cruel, frio, autoritário. Ele os mantinha sob domínio total, com ameaças de morte caso revelassem os estupros a alguém.Após muito tempo de sofrimento, Simone decidiu contar à madrasta o trágico segredo. A madrasta, chocada, chamou a polícia, e o pai de Simone acabou sendo condenado a 15 anos de prisão.Simone e o irmãozinho foram viver com os avós maternos em outra cidade.Os anos se passaram, e Simone seguiu a vida, tentando superar a triste infância, mas jamais conseguiu esquecer o olhar fulminante que o pai lhe dirigiu ao ser detido.Ao chegar à adolescência, Simone viu-se intrigada por uma terrível suspeita. Sua mãe, Maria Clara, havia desaparecido quando os filhos eram ainda bem pequenos, e o pai sempre dizia que ela os havia abandonado. Uma investigação policial, inclusive sobre a hipótese de assassinato, resultara em nada, e o caso fora arquivado.Com o passar do tempo, Simone viu crescer em seu íntimo a suspeita de que o pai estivesse envolvido no desaparecimento de sua mãe.Um dia, indagando à avó materna sobre o passado, esta lhe disse que tinha certeza de que o pai assassinara Maria Clara, porém, como não havia provas, nada poderia ser feito judicialmente. Jamais foram encontrados vestígios do corpo e até seu carro desaparecera por completo.Simone então tomou como objetivo de sua vida esclarecer o desaparecimento da mãe. Ao atingir a maioridade, pediu à justiça acesso aos documentos do processo aberto à época e passou a estudar o caso meticulosamente.Dentre os papéis arquivados com o processo, Simone deparou com o diário de Maria Clara, onde constavam pistas de que o pai também molestava sexualmente o filho mais velho. Não havia anotações explícitas, porém implicitamente Maria Clara deixava transparecer que pretendia pedir o divórcio para distanciar os filhos do criminoso.Decidida a ir fundo na história, Simone muniu-se de um caderninho, onde passou a anotar entrevistas feitas com as pessoas que conheciam seus pais, no passado.Dentre as anotações que conseguiu, constava o relato de um antigo conhecido de seu pai. Em uma ocasião, bêbado, o pai dissera a esse amigo que, se Maria Clara o abandonasse, ele a mataria e, para despistar a polícia, destruiria seu corpo e cortaria sua cabeça, arrancando-lhe pedaços da mandíbula com alicate para que a arcada dentária não pudesse ser identificada.Ante tais evidências, a jovem procurou a justiça e conseguiu a reabertura do caso. Mas ainda seriam necessárias provas mais concretas para indiciar o pai que, a essa altura, já se encontrava em liberdade condicional.Continuando em suas pesquisas, Simone descobriu em jornais do passado que, anos atrás, um crânio humano fora encontrado em um milharal, sem a mandíbula. Naquele tempo, a tecnologia forense ainda não contava com as possibilidades atuais de análise do DNA e, assim, o crânio encontrava-se em um arquivo da polícia como caso indeterminado. Mas, ao passar pelo moderno processo de identificação do DNA mitocondrial, os peritos concluíram que o crânio pertencia a Maria Clara, mãe de Simone.A justiça encontrava-se, agora, a um passo de prender o pai assassino. Entretanto seria necessário, ainda, conseguir sua confissão.A jovem apelou, então, para o avô paterno e este revelou que, cinco anos antes, seu pai contara-lhe que havia assassinado Maria Clara. À época, o avô decidira-se por cortar relações com o filho assassino e denunciou-o, mas, sem provas concretas e a confissão, o facínora conseguiu mais uma vez escapar à justiça.Desta vez, porém, com a ajuda do avô, a polícia grampeou seus telefones e gravou uma conversa entre ambos.– Você sabe como é – disse o avô ao pai da jovem. – A Simone anda fazendo muitas perguntas sobre o passado, sobre a mãe, sobre você…– Sei, sei! – disse o assassino. – Ela quer me mandar em cana de novo! Mas não vai conseguir.– Você quer dizer que cometeu o crime perfeito? – perguntou o avô.– Sim. O mais próximo possível da perfeição. – respondeu o assassino.
Pronto.Essa era a pedra que faltava naquele instigante e macabro quebra-cabeças. Finalmente, conforme a justiça americana, o pai de Simone foi condenado à prisão perpétua.O assassino acabou por revelar detalhes do homicídio, contando que empurrara o carro de Maria Clara para dentro de um rio, atirando pedaços de seu corpo em poços da região. A polícia vasculhou os locais, mas, após tantos anos, os restos mortais da mulher já haviam se perdido…… Ou, quem sabe, o assassino mentiu deliberadamente a esse respeito para continuar mantendo algum controle sobre a situação…
***
O importante é que Simone tenta, agora, reconstruir sua vida, satisfeita em parte por haver resgatado a dignidade da mãe - que jamais abandonara os filhos e acabou morrendo por eles.
No início dos anos-oitenta, Simone, uma garotinha de 7 anos, morava em uma cidade do meio-oeste americano com seu pai, a madrasta e um irmãozinho menor que ela.Simone e seu irmãozinho, numa época em que deveriam viver alegremente, usufruindo os verdes anos da infância, protagonizavam um pesadelo: ambos eram continuamente molestados sexualmente pelo próprio pai, um homem cruel, frio, autoritário. Ele os mantinha sob domínio total, com ameaças de morte caso revelassem os estupros a alguém.Após muito tempo de sofrimento, Simone decidiu contar à madrasta o trágico segredo. A madrasta, chocada, chamou a polícia, e o pai de Simone acabou sendo condenado a 15 anos de prisão.Simone e o irmãozinho foram viver com os avós maternos em outra cidade.Os anos se passaram, e Simone seguiu a vida, tentando superar a triste infância, mas jamais conseguiu esquecer o olhar fulminante que o pai lhe dirigiu ao ser detido.Ao chegar à adolescência, Simone viu-se intrigada por uma terrível suspeita. Sua mãe, Maria Clara, havia desaparecido quando os filhos eram ainda bem pequenos, e o pai sempre dizia que ela os havia abandonado. Uma investigação policial, inclusive sobre a hipótese de assassinato, resultara em nada, e o caso fora arquivado.Com o passar do tempo, Simone viu crescer em seu íntimo a suspeita de que o pai estivesse envolvido no desaparecimento de sua mãe.Um dia, indagando à avó materna sobre o passado, esta lhe disse que tinha certeza de que o pai assassinara Maria Clara, porém, como não havia provas, nada poderia ser feito judicialmente. Jamais foram encontrados vestígios do corpo e até seu carro desaparecera por completo.Simone então tomou como objetivo de sua vida esclarecer o desaparecimento da mãe. Ao atingir a maioridade, pediu à justiça acesso aos documentos do processo aberto à época e passou a estudar o caso meticulosamente.Dentre os papéis arquivados com o processo, Simone deparou com o diário de Maria Clara, onde constavam pistas de que o pai também molestava sexualmente o filho mais velho. Não havia anotações explícitas, porém implicitamente Maria Clara deixava transparecer que pretendia pedir o divórcio para distanciar os filhos do criminoso.Decidida a ir fundo na história, Simone muniu-se de um caderninho, onde passou a anotar entrevistas feitas com as pessoas que conheciam seus pais, no passado.Dentre as anotações que conseguiu, constava o relato de um antigo conhecido de seu pai. Em uma ocasião, bêbado, o pai dissera a esse amigo que, se Maria Clara o abandonasse, ele a mataria e, para despistar a polícia, destruiria seu corpo e cortaria sua cabeça, arrancando-lhe pedaços da mandíbula com alicate para que a arcada dentária não pudesse ser identificada.Ante tais evidências, a jovem procurou a justiça e conseguiu a reabertura do caso. Mas ainda seriam necessárias provas mais concretas para indiciar o pai que, a essa altura, já se encontrava em liberdade condicional.Continuando em suas pesquisas, Simone descobriu em jornais do passado que, anos atrás, um crânio humano fora encontrado em um milharal, sem a mandíbula. Naquele tempo, a tecnologia forense ainda não contava com as possibilidades atuais de análise do DNA e, assim, o crânio encontrava-se em um arquivo da polícia como caso indeterminado. Mas, ao passar pelo moderno processo de identificação do DNA mitocondrial, os peritos concluíram que o crânio pertencia a Maria Clara, mãe de Simone.A justiça encontrava-se, agora, a um passo de prender o pai assassino. Entretanto seria necessário, ainda, conseguir sua confissão.A jovem apelou, então, para o avô paterno e este revelou que, cinco anos antes, seu pai contara-lhe que havia assassinado Maria Clara. À época, o avô decidira-se por cortar relações com o filho assassino e denunciou-o, mas, sem provas concretas e a confissão, o facínora conseguiu mais uma vez escapar à justiça.Desta vez, porém, com a ajuda do avô, a polícia grampeou seus telefones e gravou uma conversa entre ambos.– Você sabe como é – disse o avô ao pai da jovem. – A Simone anda fazendo muitas perguntas sobre o passado, sobre a mãe, sobre você…– Sei, sei! – disse o assassino. – Ela quer me mandar em cana de novo! Mas não vai conseguir.– Você quer dizer que cometeu o crime perfeito? – perguntou o avô.– Sim. O mais próximo possível da perfeição. – respondeu o assassino.
Pronto.Essa era a pedra que faltava naquele instigante e macabro quebra-cabeças. Finalmente, conforme a justiça americana, o pai de Simone foi condenado à prisão perpétua.O assassino acabou por revelar detalhes do homicídio, contando que empurrara o carro de Maria Clara para dentro de um rio, atirando pedaços de seu corpo em poços da região. A polícia vasculhou os locais, mas, após tantos anos, os restos mortais da mulher já haviam se perdido…… Ou, quem sabe, o assassino mentiu deliberadamente a esse respeito para continuar mantendo algum controle sobre a situação…
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O importante é que Simone tenta, agora, reconstruir sua vida, satisfeita em parte por haver resgatado a dignidade da mãe - que jamais abandonara os filhos e acabou morrendo por eles.

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